Ultrassom Estético
- Mundo Estética
- 23 de abr.
- 9 min de leitura
Atualizado: 23 de abr.
Por Mundo Estética – Desde 2014 apaixonando profissionais de estética
O ultrassom estético é uma das técnicas terapêuticas da eletroterapia mais empregadas na prática clínica da estética corporal para tratamentos de diversas alterações inestéticas. É um recurso terapêutico que utiliza ondas ultrassônicas que em contato com o tecido promove efeitos biofísicos.
O ultrassom é uma modalidade terapêutica de penetração profunda, capaz de produzir alterações nos tecidos por mecanismos térmicos e mecânicos.
É considerado uma energia mecânica acústica, que se caracteriza pelo choque de moléculas ao redor na matéria que pode ou não produzir aquecimento de acordo como a onda que se propaga. Dependendo dos parâmetros de aplicação do ultrassom obtemos diferentes efeitos biofísicos. O ultrassom é definido como uma forma de vibração acústica com frequências muito altas que não podem ser percebidas pelo ouvido humano.

Produção de ultrassom
Som é toda onda mecânica perceptível ao ouvido humano, e este é capaz de escutar ondas sonoras que variam de 16 a 20.000 Hz. Os sons acima ou abaixo dessa frequência são inaudíveis para o ouvido humano. São denominados infrassons quando o som é abaixo da frequência audível humana, e ultrassons quando acima da frequência audível humana. O ultrassom terapêutico varia de 500.000 a 5.000.000 Hz (0,5 a 5MHz) na estética usamos o ultrassom de 3MHz que por sua vez atinge a derme e o tecido adiposo.
Parâmetros
Quanto menor for a frequência, maior é a capacidade de penetração, então o ultrassom de 3MHz atua nas estruturas superficiais, enquanto as frequências menores de 1MHz são usadas para estruturas mais profundas como ossos, por exemplo.
Energia mecânica na aplicação terapêutica depende dos parâmetros (ajustes) de frequência que variam entre 1Mhz ou 3MHZ, modo de emissão: Contínuo ou Pulsado, tempo de aplicação e intensidade.
Modo de emissão
Modo contínuo
Na emissão contínua predomina o efeito térmico, pois é liberado calor constante na aplicação sem interrupções pode aquecer com eficiência tecidos localizados a centímetros de profundidade e isso depende da frequência empregada. No modo contínuo o ciclo de funcionamento é de 100% o que indica uma saída constante de ultrassom e consequentemente um maior aquecimento.
Modo pulsado
Na emissão pulsada, entre um pulso e outro ocorre um tempo de pausa, que facilita a dispersão do calor, por isso o efeito térmico é menor, isso potencializa o efeito mecânico ou cavitacional. A emissão pulsada é indicada quando não se quer obter calor nos tecidos. Ou seja, condições inflamatórias agudas, como por exemplo, no tratamento agudo de cicatrizes pós-operatórias e flacidez tissular (flacidez de pele).
Na emissão pulsada, a duração do tempo de pulso é variável, por isso teremos que ajustar o ciclo e a frequência desta onda no modo pulsado. Podemos encontrar na maioria dos ultrassons frequências de 100Hz, 48Hz e 16Hz e ciclos de 5% a 75%.
Frequência
A frequência é o número de oscilações por unidade de tempo de uma onda, simbolizado por Hz (Hertz), que equivale a uma oscilação por segundo, ou seja, 16 Hz é igual a 16 oscilações por segundo, e assim por diante.
Ciclos
Os ciclos se definem pelo tempo de atuação da onda de ultrassom, ou seja, se o ciclo estiver em 5%, o aparelho estará emitindo a onda de ultrassom (de calor) somente nesse período de 5% e os 95% do tempo restantes ele estará em pausa, e assim por diante. Quanto maior o ciclo, maior o fornecimento de calor para o tecido.
Exemplo:
Em um ciclo de 20% –> 80% do tempo de aplicação estará sem emitir a onda de ultrassom (em repouso) e 20% estará emitindo a onda de ultrassom.
Intensidade
A potência de saída de um equipamento gerador de ultrassom é medida em watts (W) que quer dizer a quantidade de energia produzida por um transdutor. A intensidade é a taxa na qual a energia é liberada em área por unidade, e é expressa em unidades de watts por centímetro quadrado (w/cm²);
A intensidade utilizada na estética varia de 0,1 até 2,0 W/cm² no modo contínuo e 0,1 até 3,0 W/cm² no modo pulsado.
Para calcular a intensidade utilizada no cliente, é feita uma regra de três que envolve medir a área a ser tratada com adipômetro (em cm), o máximo de profundidade da corrente no tecido ( 5cm) e o máximo de potência utilizado no modo contínuo (2W/cm²) ou pulsado (3W/cm²).
Cálculo de Intensidade
Modo Contínuo5,0 cm ————- 2W/cm²cm tecido adiposo —— x
Modo Pulsado5,0 cm ————- 3W/cm²cm tecido adiposo —— x
Exemplo de cálculo de intensidade:
Uma pessoa com 3,5 cm de gordura (medido no adipômetro)
Modo Contínuo
5,0 cm — 2W/cm²3,5 cm — x3.5 . 2 = 5.x7 = 5.x7/5 = xx= 1,4 W/cm²
Modo Pulsado
5,0 cm — 3W/cm²3,5 cm — x3,5 . 3 = 5.x10,5 = 5.x10,5/5 = xx= 2,1W/cm²
Observação: Esse cálculo de intensidade (regra de três), só é utilizado em Ultrassom convencional, com apenas um cristal piezoelétrico. Já no Ultrassom de alta potência com três cristais, o cálculo da potência é feito automaticamente pelo aparelho ao inserir a adipometria.
Tempo
A aplicação do tempo é calculada sendo 1 minuto por área do cabeçote, para ultrassom de um cristal piezoelétrico.
Na literatura existem várias opiniões diferentes sobre o tempo de duração das aplicações do ultrassom, dependendo da dimensão da área a ser tratada, da intensidade da saída e do objetivo do tratamento, estima-se que uma sobrecarga de energia para o organismo seja prejudicial, por isso usa-se uma conta para calcular o tempo do tratamento:
Tempo = ÁREA / ERA
O tempo de tratamento é igual a ÁREA (tamanho da área a ser tratada)dividida pela, ERA (tamanho em cm² do cabeçote)
* Deve-se dividir a área a ser tratada em quadrantes para a aplicação do ultrassom.
Técnica de aplicação do Ultrassom Estético
Utilizar meio acoplador (gel com ou sem princípio ativo próprios para utilização no ultrassom). Realizar movimentos circulares com uma certa pressão sob a pele, não permitindo o levantamento do transdutor e assim o desacoplamento do cabeçote (isso pode danificar seu aparelho e/ou causar queimadura no cliente).
Atenção: Não reutilize géis, mesmo que for na mesma cliente, pois o ultrassom forma bolhas no gel e as ondas do ultrassom não são capazes de atravessar o ar, sendo assim seu aparelho pode não funcionar adequadamente. No caso dos géis com ativos além de formar bolhas, você perderá a ação dos ativos, pois eles já terão sido utilizados, assim, você pode não obter o resultado esperado para o tratamento.
Efeitos Biofísicos do Ultrassom
Tanto o efeito térmico quanto o não térmico ocorrem no organismo, mais a proporção de cada depende do ciclo de fornecimento (pulsado ou contínuo) e da intensidade da saída, e assim maior será a grandeza dos efeitos.
Ação Coloidoquímica ou Tixotropia
O ultrassom possui a propriedade de amolecer estruturas de maior consistência e deixa-las liquidas, transformar substâncias que estão mais gelatinosas, em fluídas, ou composições mais sólidas para o estado de gel, isso chama-se tixotropia ou coloidoquímica.
Cavitação – Ação fibrinolítica
Reorganização e modelagem da deposição de fibras de colágeno no tecido conjuntivo subcutâneo.
Neovascularização
Melhora e aumento da circulação local, que favorece a nutrição celular e melhora a retirada dos detritos metabólicos do organismo, também reduz o processo de formação de fibrose.
Fonoforese
É um processo em que fisicamente o ultrassom leva o medicamento/cosmético através da pele mais profundamente nos tecidos por permeação, via anexos da pele. A energia ultrassônica pode ser utilizada para permear ativos cosméticos nos tecidos pelo processo de fonoforese. A teoria da fonoforese é semelhante à da iontoforese, mas essa técnica não necessita que o produto tenha polaridade, porém, o produto deve conter moléculas de baixo peso molecular e tamanho pequeno para que haja a permeação através das ondas de ultrassom.
Importante
Quanto maior o conteúdo de água (hidratação), mais permeável é a pele à passagem de ativos. A passagem mais fácil de cosméticos através da pele ocorre perto de folículos pilosos, glândulas sebáceas e ductos sudoríparos.
Áreas altamente vascularizadas permitem melhor a transferência de ativos para tecidos profundos. A pele espessa oferece uma barreira muito grande à permeação de ativos, do que peles mais finas, por tanto é necessário esfoliar a pele antes de aplicar o aparelho de ultrassom com géis contendo ativos.
Aplicação do ultrassom estético
Utilizar sempre um meio de contato, como géis próprios para o tipo de ultrassom que o profissional usar; manter o cabeçote em constante movimento; considerar atenuação como pêlos por exemplo, para estabelecer a intensidade; relacionar o tempo com a área a ser tratada e intensidade com profundidade.
Indicações
Hidrolipodistrofia Ginóide ( HLDG – “celulite”),
Fibrose e quando se deseja a permeação de algum princípio ativo em tratamentos corporais.
Respeitando as contraindicações: feridas, tecido cicatricial, condições inflamatórias agudas (modo pulsado), condições inflamatórias crônicas (pulsado ou contínuo).
Preparo do cliente
Verificar se não há contraindicações.
Determinar o método e o modo de aplicação de ultrassom a serem utilizados durante o tratamento.
Limpar o local a ser tratado, para remover oleosidade, impurezas ou qualquer outro tipo de sujidade que atrapalhe a propagação das ondas de ultrassom.
Sempre explicar para o cliente as sensações que poderão surgir durante o tratamento, como, calor leve, peça para o cliente informar sobre quaisquer sensações inesperadas.
Contraindicações e Cuidados
Sobre áreas com distúrbios circulatórios;
Sobre a pele com lesão cutânea ou irritações;
Pessoas com distúrbios de sensibilidade
Sobre epífises de crescimento em crianças e jovens;
Pacientes com hemofilia não-controlada;
Pacientes com câncer;
Pacientes com infecções;
Cardíacos, ou portadores de marca-passo cardíaco;
Gestantes;
Sobre as gônadas (ovários e testículos);
Sobre os olhos;
Curiosidades e História: O que o mundo sabe?
O "Sonar" da Estética: A tecnologia do ultrassom foi inspirada nos sonares de navios e submarinos usados na 1ª Guerra Mundial para detectar objetos no fundo do mar.
O Efeito Curie: A produção da onda só é possível graças ao Efeito Piezoelétrico, descoberto pelos irmãos Pierre e Jacques Curie em 1880. Eles perceberam que certos cristais (como o quartzo) geram eletricidade quando comprimidos e vice-versa.
O Teste da Água (Nebulização): Quer saber se o seu aparelho está funcionando de verdade? Coloque uma gota de água sobre o cabeçote e ligue no modo contínuo. A água deve "dançar" e se transformar em uma névoa fina. Isso é a prova física da vibração acústica!
Cavitação não é "Explosão": Diferente do que muitos marketing dizem, a cavitação estável não "explode" o adipócito como uma bomba, mas gera uma instabilidade na membrana que facilita a saída dos lipídios.
FAQ: 15 Perguntas Frequentes na Prática Clínica
Posso usar o ultrassom em cima de próteses metálicas?
Evite o modo contínuo (térmico), pois o metal aquece muito mais rápido que o tecido. No modo pulsado (atérmico), o risco é menor, mas a cautela deve ser máxima.
Qual a diferença real entre 1MHz e 3MHz?
O de 1MHz é como uma "voz grossa" que viaja longe (até 5cm, dependendo da região, atingindo ossos). O de 3MHz é uma "voz aguda" que perde força rápido, concentrando a energia na gordura e derme (até 2cm).
O cliente deve sentir choque?
Nunca! O ultrassom é uma onda mecânica (som), não elétrica. Se sentir choque, o aparelho está com fuga de corrente ou defeito de isolamento.
Posso fazer ultrassom todos os dias?
O ideal é respeitar o tempo de resposta biológica do tecido, geralmente com intervalos de 48h a 72h entre as sessões na mesma área.
Por que não posso reutilizar o gel?
O ultrassom gera microbolhas de ar no gel durante o uso. Como a onda sonora não viaja no ar, o gel reutilizado barra a passagem da energia para a pele.
Ultrassom trata flacidez de pele?
Sim, no modo pulsado e com baixa intensidade, ele estimula a atividade dos fibroblastos para produção de colágeno sem gerar o calor que poderia degradar proteínas em casos agudos.
Grávida pode fazer ultrassom?
É contraindicação absoluta
O que é ERA?
É a área real do cristal que emite energia. Nem todo o tamanho do cabeçote é emissor; por isso, cabeçotes maiores tratam áreas maiores mais rápido.
Posso usar creme em vez de gel?
Apenas se o fabricante indicar. Cremes comuns possuem muitas bolhas de ar e gorduras que impedem o acoplamento da onda.
Por que devo mover o cabeçote constantemente?
Para evitar a formação de "ondas estacionárias", que podem causar pontos de superaquecimento e queimaduras no periósteo (membrana do osso).
Ultrassom emagrece?
Ele auxilia na redução de medidas (gordura localizada), mas o emagrecimento sistêmico depende de déficit calórico e atividade física.
Posso aplicar em cima de varizes?
É contraindicado em áreas com varizes calibrosas ou distúrbios circulatórios graves pelo risco de deslocamento de trombos.
Quanto tempo dura o resultado?
Se o cliente mantiver bons hábitos, os efeitos na celulite e gordura localizada são duradouros, mas a manutenção preventiva é sempre recomendada.
O ultrassom faz barulho?
Para o ouvido humano, não. Mas algumas pessoas relatam ouvir um zumbido interno (condução óssea), o que é normal.
Como higienizar o transdutor?
Sempre com clorexidina degermante ou álcool 70% (verifique o manual do fabricante, alguns cristais são sensíveis ao álcool direto).
Referências
BORGES, F. S. Dermato-Funcional: Modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. 2. Ed. São Paulo: Phorte, 2010.
PEREIRA, M. F. L. Eletroterapia: no tratamento estético. 1. Ed. São Paulo: Difusão, 2014.
STARKEY, C. Recursos Terapêuticos em Fisioterapia. 2. Ed. São Paulo: Manole, 2001.








Comentários